Curadorias e comissões de seleção em dança

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  • quarta-feira, 19 de maio de 2010
  • por
  • Chris Galdino
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  • Desta vez em um bate-papo com Alexandre Molina (BA) e João Lima (PE), após o almoço de ontem (18.05.10), nos detemos sobre um assunto recorrente em todos os cantos do Brasil: as curadorias e comissões de seleção em dança. Sempre que o resultado de algum edital é divulgado, o côro de insatisfeitos espalha queixas, reivindica justificativas ou, lamentavelmente, volta-se contra os sortudos da vez.
    Mas ao invés de servir para estimular a competição desenfreada, o egocentrismo, e fortalecer o lado perverso do sistema de editais; isso deveria nos fazer refletir sobre os critérios de escolha das curadorias e comissões de seleção em dança, principalmente, as de abrangência nacional. Quem são esses profissionais e a quem realmente eles representam? Garantir uma composição que privilegie a diversidade de linhas de pensamento-ação da dança produzida no Brasil, é tão importante quanto agregar pessoas que conhecem realidades distintas (inclusive geograficamente) do cenário nacional. Porém o que temos visto em muitos dos editais com esta abrangência, sejam públicos ou privados, é a predominância e até mesmo o "monopólio" de uma mesma vertente filosófica-ideológica da dança, o que fica notório na divulgação da lista de selecionados. Claro, que não estamos falando dos editais que têm um recorte bem definido e nem de curadorias de festivais e eventos privados com o perfil declaradamente fechado em uma linha de trabalho, um formato de dança. O problema é quando há a defesa da diversidade e/ou da descentralização no dicurso e, na prática, o contrário acontece. Em alguns casos existe uma clara tentativa de camuflar, maquiar para parecer democrático e politicamente correto.
    Temos é que ficar atentos para não ver esse direcionamento continuar reproduzindo resultados similares, que deixam de fora grande parte das produções em dança, muitas vezes colocando em dúvida a qualidade dos trabalhos e projetos apresentados como forma de justificar as escolhas da comissão. Exigir a clareza dos critérios de avaliação de cada seleção destas é um papel que nos cabe, e que não podemos descuidar desde a abertura dos editais e não somente após a divulgação dos resultados.
    Obviamente, o fato do edital ser público ou privado deve ser levado em conta na nossa avaliação. Mas isso já é assunto para aprofundar em outras conversas, porque certamente esse será um assunto sempre em pauta por aqui. Até já!

    3 comentários:

    Silvio disse...

    Oi amiga, ja começou bem, li tudo e adorei, espero que esta tua estadia em SL seja bem proveitosa, bjs;

    Clara F. Trigo disse...

    Oi Chris, parabéns pelo Blog, lindo e bem instrutivo! Estamos postando toda a nossa "maratona" também no nosso blog, dá uma olhada e nos põe aí na sua lista de blogs: suacia.blogspot.com.
    Olha, estou produzindo com Catarina Gramacho e mais duas trabalhadoras incansáveis da dança (Nirlyn Seijas e Jaqueline Vasconcellos) a 2a edição da Plataforma Internacional de Dança, em Salvador. Fazemos ações ao longo do ano para o desenvolvimento da dança na Bahia. Uma das nossas ações mais consistente tem sido o desenvolvimento de uma metodologia curatorial. Em junho/julho teremos alguns convidados internacionais pra discutir conosco. Podemos conversar mais sobre isso. Vai pra Salvador quando? Beijão, Clara.

    Chris Galdino disse...

    Oi Clara, vamos falar ao vivo sobre isso nesse fim de semana estarei em Salvador...participando como crítica do Interação e Conectividade. Vou adicionar o blog da SUA já....bjs

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