Identidade: ainda?

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  • sexta-feira, 21 de maio de 2010
  • por
  • Chris Galdino
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  • "Oi, eu sou a Chris, e vi pela segunda vez o trabalho O OUTRO DO OUTRO, do meu conterrâneo João Costa Lima, desta vez no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís do Maranhão, na programação do Conexão Dança Contemporânea”.


    Ver o João ser tantos e nenhum, ser biográfico e fictício ao mesmo tempo, me leva a pensamentos sobre a identidade, não só no sentido das singularidades de cada pessoa, mas também na questão das tentativas de nomeação da arte contemporânea.

    Logo na seqüência, a fala de Marcelo Evelin (ainda na apresentação do João) reforça as minhas inquietações: “Eu sou o Marcelo e acho que não interessa se isso é dança, teatro, performance, artes plásticas, instalação”.

    Mais tarde, muito mais tarde mesmo, em um dos nossos madrugueiros encontros para exercício da boemia, o assunto surge novamente na pergunta de Ricardo Marinelli: “Porque será que a gente continua discutindo identidade?”.

    Em certo aspecto talvez essa seja mesmo uma conversa que já perdeu o sentido, mas se continua incomodando e interessando é porque de algum modo o assunto ainda não foi esgotado...e talvez nunca seja mesmo, até mesmo porque vivemos a época de múltiplas temporalidades, não é? O que já pode ter passado para uns, está no momento para outros ou para ele mesmo em outra situação.

    Vamos pensar na dança contemporânea para tentar ilustrar a questão. Os discursos de alguns criadores é o da não-identidade, no entanto, paradoxalmente, muitas vezes esses mesmos artistas caem na armadilha de dizer o que se encaixa ou não na “categoria dança contemporânea”, seja de forma declarada ou não.

    Também é muito comum se ouvir o texto que fala do respeito ao outro, mas quem é o outro, que abertura mantemos nas nossas relações e formas de organização em dança para permitir que os outros se aproximem, para enxergarmos no outro as diferenças e semelhanças, sem tentativas de estéreis classificações?

    Gente, feliz ou infelizmente, eu acredito que nós ainda vamos ter que lidar com a identidade. E o como fazemos isso é que é a questão. Em mim pelo menos, estes questionamentos vivem voltando ao foco. EStou pensando nisso...

    “Oi, eu sou a Chris, e quero dizer que está muito difícil de cumprir a regra de não falar de trabalho (leia-se dança) depois das dez da noite, como havíamos combinado no começo do Conexão. Afinal, a separação entre o pessoal e o profissional também não é um mito?”

    7 comentários:

    janalobo disse...

    Oi, Chris!
    adorei seu blog, já vou ser leitora garantida.
    Sou do Núcleo do Dirceu e conheci vc em Recife, lembra?

    beijos
    janaína Lobo

    wilena disse...

    oi, eu sou a wilena..kkkk
    então chris, questões boas e pertinente sobre identidade e sobre essa separação entre o pessoal e o profissional, pod sim ser repetitivo, mas pra reforçar conconcordo com essa de se ainda está sendo discutido identidade, é prq muitas inquietações ainda inquietam nossas cabeças e como vc disse, não só identidade de um indivíduo e sim identidade da coisa q ele faz, daí acho q se mistura com essa não separação entre pessoal e profissional, q gera uma quantidade absurda de inquietações..e uma discursão q sempre batemos aqui no núcleo..artista é artista, ele não precisa nascer em uma familia de artista pra ser artista, ele não precisa ser artista só pela manhã pq a tarde tem q ser pai ou mãe, esposo ou esposa, emfim, artista é artista full time..
    adorei seu blog, vou divulgar, srsrsr..beijos..

    joaocostalima1 disse...

    Alô Chris!
    Que coisa boa ler tuas palavras, fico contente em seguirmos refletindo sobre o que somos e o que fazemos. E é por isto que acho que não podemos deixar de pensar na identidade. Trata-se de uma questão antiga, é verdade, e também muito cara à filosofia: "conhece-te a ti mesmo"...
    É claro que as formas de se pensar a identidade, seja ela mais ou menos tematizada, é que nos interessa. Longe de buscar definições, acredito que ao tornarmos mais atentos à multiplicidade de papéis e relações que vivemos, podemos ser mais flexíveis, talvez mais livres. Será?
    Longa vida ao teu blog, esperando te encontrar em breve. Um abraço!

    João

    Maurileni Moreira disse...

    Olá chris, tudo bem!!!

    TENHO UM BLOG COM O MESMO CAMINHO DO SEU, ACHO QUE PODEMOS PARTILHAR COISAS...

    DÁ UMA OLHADA:

    http://diversosmundosoumundosdiversos.blogspot.com/2010/05/cia.html

    BEIJOS, MAURILENI.

    Chris Galdino disse...

    Meninas do Dirceu...que bom encontrá-las aqui...vamos usar e abusar desse espaço tá para continuarmos conectados. O Nordeste precisa se aproximar até para se conhecer melhor e espantar alguns fantasmas de "identidades estereotipadas", né? Que bom que o Marcelo foi louco o suficiente para provocar esse rebuliço no Piauí. Beijos em todos

    Tiago Ferro disse...

    Oi Chris, é tão bom ler e ouvir histórias da dança, nem antigas e nem recentes, sendo contadas por pessoas que viveram tudo aquilo de perto (sobre o Balé Popular e o Mandacaru). Tá sendo muito importante para mim, todo esse universo que se abre graças a pessoas como você, que engrandecem a dança dançada e que transformam as letras em movimento, contagiando novos interessados, já não mais tão novos assim...
    Eu assisti ao espetáculo do João, a turma inteira de dança da UFPE esteve presente, mas no Teatro Hermilo, a algumas semanas atrás. Me identifiquei bastante, aliás o espetáculo identifica-se com muitos Joãos, Tiagos e tantos outros. Vida longa ao João, à Chris e ao BLog ;)

    Chris Galdino disse...

    Obrigada, Tiago...vamos aproveitar bastante para aproveitar esse espaço de troca que pretendo que seja esse blog. Vamos continuar tecendo e nos embalando na nossa rede de dança,né?
    Bjs

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